| História viva da primeira Copa, argentino Varallo completa 100 anos |
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| Ex-atacante é o único remanescente do primeiro Mundial, disputado em 1930, no Uruguai |
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Francisco "Pancho" Varallo, o único jogador remanescente da primeira Copa do Mundo de Futebol, em 1930, completa 100 anos de idade nesta sexta-feira. Para comemorar a data, o site da Fifa (Federação Internacional de Futebol Association) publica uma entrevista especial com o ex-atacante argentino, que à época do primeiro Mundial tinha apenas 20 anos de idade. "Agora que estou velho, mais homenagens têm sido feitas para mim. Isso faz parecer que ainda tenho importância", diz o ex-jogador.
Na primeira Copa do Mundo, Pancho era o atleta mais jovem da seleção argentina. Para ele, muitos dos companheiros de equipe eram como ídolos. "Foi como um sonho. A Argentina tinha um time fantástico, e eu só havia jogado uma partida, dois meses antes da Copa do Mundo. Eu era só um menino e tinha um grande respeito com jogadores como Luis Monti, Manuel ferreira, Guillermo Stabile", conta Varallo, ao site da Fifa.
Recorde de gols de Pancho no Boca só foi quebrado em 2008
Apesar de ter marcado um gol na competição, na vitória de 6 a 3 sobre o México, na primeira fase, Varallo não conseguiu comemorar o título: na decisão, a Argentina perdeu para o Uruguai, dono da casa, por 4 a 2, no Estádio Centenário, em Montevidéu. "No dia da estreia, contra a França, perguntei ao capitão, Ferreira, como eu poderia jogar e ele respondeu: 'Jogue o que você sabe e faça o que você quiser'. E as coisas aconteceram muito bem para mim", lembra o ex-atacante, que começou a carreira no 12 de Outubro, de La Plata, e depois seguiu para o Gimnasia Y Esgrima.
Já no Boca Juniors, onde virou ídolo, a partir de 1931, Pancho marcou 180 gols, um recorde, que só seria batido por Martín Palermo, em 2008. Pelo Boca, foi campeão argentino em 1931, 1934 e 1935.
"Em 1930, nós treinávamos três vezes por semana ou menos"
Segundo Varallo, que apesar da idade demonstra na entrevista ainda ter uma excelente memória, muitas coisas mudaram nos 80 anos de história das Copas, especialmente no que se refere à preparação dos jogadores. "Não havia nutricionistas ou algo do gênero. A única recomendação para o Stabile era que não podia comer sanduíches de salame", diz o ex-jogador. "Eu sempre comia muito bem, uma variedade de coisas. Tinha uma dieta tipicamente argentina, com bastante carne."
De acordo com Varallo, ao contrário do alto nível de exigência para os atletas hoje em dia, à época do primeiro Mundial o aspecto físico não era considerado tão importante pelos clubes e seleções. "Em 1930, nós treinávamos três vezes por semana ou menos. Mas eu também treinava por conta própria, porque tinha perseverança."
O ex-atacante se diz feliz pelo reconhecimento que recebe dos aficionados por futebol, mesmo que já tenham se passado 80 anos da Copa de 1930. "Acho incrível que os jovens saibam quem eu sou. Quando estive na França, pessoas da Alemanha, Polônia, Inglaterra, Suíça, todos queriam me encontrar, demonstrando grande paixão e respeito. Eles ainda enviam cartas para a minha casa. E alguns ainda mandam presentes", conta Pancho. "São gestos inesquecíveis que me fizeram muito feliz".
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Postado em
06/02/2010
por:
Marcelo Monteiro, iG São Paulo |
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